Projetos de vida: como não ser atropelado por eles

Em certos momentos da nossa vida, um alerta acende na nossa cabeça, e quase que por instinto sentimos que precisamos definir metas. Já viveu isso? Costuma acontecer no início de novos ciclos (na virada de ano ou no começo de um novo projeto, por exemplo). Animados (ou afoitos), começamos a pensar no que precisamos atingir para esse projeto dar certo. Fazemos listas, estabelecemos prazos e números a serem alcançados. Nesse momento, a ansiedade cede um pouco. Os resultados costumam ser inversamente proporcionais ao número de metas. Independente disso, parece que sempre fica sempre um restinho de contrariedade no final. Ficamos pensando no que não deu certo ou comparamos o que conseguimos com o que poderíamos ter conseguido. Será que há alguma coisa de errado com a forma como nos planejamos?

Organização e priorização

Já é de conhecimento geral que determinar objetivos específicos e atingíveis são competências de pessoas realizadoras. Gostaria então de sair um pouco da área da Gestão para trazer outras perspectivas e ampliar nossa visão. Me apoioarei em Marie Kondo. Marie é, como alguns devem saber, uma especialista da organização pessoal: ajuda pessoas a arrumarem dos seus guarda-roupas às suas vidas, com resultados fantásticos.

Como coach de carreira, acredito que a atitude de coragem e realização que abre o caminho para os resultados que buscamos é a mesma que a Marie Kondo sugere em relação à organização de objetos. Antes de sair criando metas e projetos para alcançar o queremos, é necessário, antes de tudo, CRIAR ESPAÇO. Espaço físico, e também espaço de tempo e de energia. Já que “nada se cria, tudo se transforma”, a conclusão é que precisamos descartar algo para criarmos esse espaço. Sem isso, vamos ficar como equilibristas tentando manter no ar mais pratos do que conseguimos, e vários deles vão cair. Para escolher o que manter e o que descartar, Marie Kondo propõe uma pergunta espetacularmente simples. Pergunte-se “Isso me traz alegria?”. Pode parecer uma pergunta banal, e alguém pode dizer “é claro que me traz alegria, se não eu já teria descartado”. Outros podem dizer: “não traz alegria, mas dependo disso para…”.

Justificativas erradas! Assim como no nosso guarda-roupa estão muitas roupas que não usamos ocupando espaço e impedindo que novas roupas entrem, na nossa vida há muitas coisas de que não abrimos mão, mas que ocupam espaço das coisas que realmente nos importam e trariam felicidade. Quais relacionamentos você está mantendo por culpa ou por uma ‘dívida’ que já foi paga? Ser grato não é ser refém! Quais trabalhos você está realizando porque sente uma obrigação excessiva para consigo mesmo ou para com outra pessoa? Qual espaço de tempo você criou para trabalhar paralelamente numa transição? Quais compromissos, projetos, objetivos e tarefas você assumiu e que já não fazem mais sentido para você e ocupam seu tempo e usam sua energia? Quais histórias você conta para si mesmo que não te servem mais (que você é velho demais, que você não produz bem, que não é bem sucedido)? Qual seria o seu potencial se você descartasse essas crenças enfraquecedoras?

O que é felicidade para você, e o que ela tem a ver com metas?

O que realmente vai ter levar aonde você quer chegar é aquilo que te faz feliz, dentro do SEU conceito de felicidade. Avaliar com base na percepção de felicidade serve tanto para excluir quanto para incluir coisas na vida. Se você não tem claro o que é ser feliz para você a ponto de conseguir responder essa pergunta à queima-roupa e sem gaguejar, é hora de começar a dar atenção a isso. Neste caso, provavelmente você já deve estar sentindo as consequências desta falta de clareza na sua vida, mesmo que não perceba a causa. Pensadores da produtividade reconhecidos como Anthony Robbins e Christian Barbosa sempre reforçam que não é possível se realizar sem antes conhecer bem a si mesmo, seus valores, seu propósito. Conhecer-se é a base para o ótimo planejamento. Ferramentas são secundárias.

Guia prático de priorização e organização

Um pequeno GUIA PRÁTICO (inspirado pela Marie Forleo e adaptado por mim) para quem estiver aberto e desejoso de começar novos ciclos de uma maneira diferente:

1. Comece listando e reconhecendo as coisas boas que realizou ou viveu no ciclo que se encerra. Provavelmente você vai descobrir que houve mais coisas boas nesse período do que você imaginava. Dê uma olhada na sua agenda, facebook, e-mail ou fotos se tiver dificuldade. Assim você troca a onda ruim de que só havia problemas por uma avaliação mais realista e que te trará uma energia diferente e mais favorável para a nova fase!

2. Depois, é hora de gerar espaço para que coisas melhores venham. O que você pode descartar para dar espaço para o novo e melhor? A pergunta aqui é “Isto me traz alegria?”. Agradeça a lição que aprendeu com aquilo que quer descartar, largue a pedra e siga em frente. Agradecer ajuda a deixarmos para trás o que precisa ficar para trás.

3. E se, depois de fazer esta reflexão você vir que, mesmo não trazendo alegria, ainda é muito difícil se livrar do que está ocupando espaço demais, reflita: para o que você está dizendo NÃO quando diz sim para aquilo que não quer largar?

Depois destas reflexões, ficará muito mais fácil escolher o que incluir no seu projeto de vida. Assim você terá menos promessas e mais resultados!

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